Depoimento-Parte-7

Busquei, então, adquirir às expensas do entendimento legal à substância dentro do protocolo da quantidade em porte permitida buscando abrir essas áreas. Entretanto, descobri que a substância vendida nos locais citados era fraudada e não possuía o elemento fundador. Uma mistura de medicamentos, misturados à acetona e éter e comprimidos chamados êxtase e entendi que não conseguiria obter o resultado pretendido. Com isso abandonei a busca da substância no município e aguardei uma futura visita ao Rio de Janeiro ou a São Paulo para buscar dentro da possibilidade da permissão de porte a substância limpa. Os dias se passaram e eu permaneci na orientação de continuar meu trabalho junto ao partido para um diretório.




Depois dos eventos envolvendo a substituição do antigo presidente da comissão partidária e da chapa majoritária para a eleição de Prefeito de Divinópolis, nos reunimos em plenária e eu assumi a presidência provisória da comissão municipal do PSOL Divinópolis para a continuação do processo de candidaturas junto ao TRE local. Orientado pelos funcionários e pelos despachos do juiz eleitoral apoiei os camaradas do partido decididos pela expulsão do ex-candidato, visando a limpeza da campanha dos outros candidatos em curso. Minha providência foi indicar ao Diretório Estadual e Executiva Nacional a defesa do ex-presidente e amplo direito de resposta à sua expulsão prevista em lei partidária e presente no Estatuto.



A plenária foi gravada em áudio e a votação se deu em 4 a 2 pela expulsão. A lista de presença ficou na posse do Secretário Geral e a ata em minha posse, junto aos demais documentos partidários a serem entregues ao Diretório Estadual como já eu havia feito em pessoa no endereço de BH na Rua Bahia em frente ao edifício Alcazar, quando do registro da comissão enquanto eu era secretário de movimentos populares, agindo na área de comunicação e divulgação da campanha 2016 em rádio e televisão. Como locutor radialista profissional realizei a gravação das falas do partido no horário eleitoral gratuito, distribuindo as gravações e os videos de campanha nas emissoras de rádio e televisão locais.




Os motivos apresentados pelos camaradas para embasar a expulsão de Jorge Tarcísio Torquato foram a existência de processos em curso contra o candidato e ex-presidente e seu comportamento em apoiar um dia antes da eleição o candidato de outro partido em detrimento de seu substituto e ex-candidato a vice prefeito em sua própria chapa. Em ambiente público, gravado em vídeo, diante do microfone de uma repórter local, em meio aos correligionários do outro candidato de outro partido. O mesmo comportamento foi encontrado no seu maior apoiador em outras comissões e outras campanhas José Artur Guimarães ao reunir-se com o assessor de campanha do candidato vencedor nas eleições de Divinópolis, o prefeito eleito Galileu .



O endereço da Comissão Provisória Municipal do PSOL Divinópolis, enquanto eu era Presidente era o da minha casa ou da casa de Maria de Lurdes Vieira Rosa já falecida. Uma reunião foi proposta para o balanço da campanha 2016, para a instalação definitiva de um Diretório Municipal, para a criação dos núcleos de base nos bairros do município e pelo questionamento do comportamento do filiado José Artur Guimarães junto ao partido opositor, além da definitiva ratificação da remessa dos documentos sobre Torquato para abertura de processo Estadual e Nacional junto à executiva nacional do partido. A reunião foi marcada e minha casa preparada para esse fim. Dias antes, durante a noite, houve a depredação e minha prisão.



Tudo aconteceu de maneira irregular. Marquei a reunião com o Tesoureiro do partido para o dia 20 de março de 2017. Ele disse talvez viajar para Claudio, mas forçaria presença. Marquei com o Secretário de Movimentos Populares Rogério Pinto. Disse-me não querer ir por desejar deixar o partido. Solicitei ao secretário geral Paulo Sérgio Machado que divulga-se a plenária entre os filiados e os candidatos não eleitos para deliberações. Mantive-me no posicionamento de realizar a reunião como presidente em exercício e aguardei. Na noite de 6 de março, penso eu, um grupo de pessoas das vizinhanças de minha casa, depois de 8 anos de convivência pacífica e depois de uma campanha de quase um ano, iniciaram uma depredação.



Havia eu deixado meus cães na parte da casa destinada a eles ao lado da cozinha como de costume, levado minha cadelinha poodle para dormir no pé da cama como de costume e peguei no sono. Acordei com as janelas do quarto e da sala destinada à reunião do Partido PSOL Divinópolis quebradas e pessoas do lado de fora gritando palavras de ordem. Da janela de meu quarto um dos agressores depredadores gritou: olhe ele está fazendo sexo com a cadela na cama e iniciaram o arrombamento da casa. Sem a presença da polícia, gritando de forma desconexa acusavam-me de ser criminoso. Uma das pessoas disse a outra. Aonde vamos colocar o B.O. referindo-se, como constatei depois, a um saquinho preto com uma substância ilícita.



Demorou mais ou menos de 3 a 5 minutos até que conseguissem arrombar o portão com cadeado e duas portas de ferro trancadas. Enquanto esperava pelos agressores em risco de morte por linchamento só pensava nos meus cães desprotegidos ao lado em outro cômodo latindo e não fiz nenhum movimento de fuga. Vi que poderia ser morto naquele momento de forma manipulada por alguém e preferi morrer diante e ao lado dos meus cães do que fugindo de algo que nunca cometi, sem covardia diante de mentirosos, agressores e verdadeiros criminosos. Eles e elas entraram, começaram a dar-me socos e bater-me com os móveis que eram quebrados, depredados. Dois tabletes e meu telefone celular desapareceram junto com documentos do partido.



Uma das mulheres agressoras gritou na minha frente: Meu nome é Reneé e eu sei tudo sobre você César Alcasar e orientava as outras mulheres a agredirem-me com palavras de ordem, dizendo que eu iria para a cadeia e lá elas tinham gente que me colocariam a calcinha cor de rosa e me molestariam em nome delas. Eu seria humilhado por ter estuprado cachorros e invadido a casa em que eu morava por 8 anos. A casa de Maria de Lurdes Vieira Rosa que estava agora sendo disputada por supostos parentes e herdeiros. Dentre eles dois casais denunciantes de minha prisão. O suposto parente era um homem chamado Antonio e seu filho Alexandre. Movendo uma ação de despejo fraudada em cima de uma curatela de uma pessoa já falecida.



Só então com a casa já invadida e depredada chegou a Polícia Militar e orientada pelos agressores tomou-me como criminoso. Fui algemado dentro da minha casa para segurança como disse-me o policial com medo do linchamento, depois de ser orientado a encontrar a substância ilegal imposta ao lado de DVDs particulares com obras culturais gravadas por mim no cômodo da reunião partidária marcada. Um casal de negros com aparência de frequentadores de zonas de tráfico destoando dos vizinhos agressores orientavam a busca por drogas. O policial perguntou-me se era minha a droga achada e eu logicamente neguei, mesmo assim me conduziu algemado. Meu computador foi entregue ao policial e eu, sob aplausos, fui preso e levado.