Depoimento-Parte-3

Muitos foram os aplausos. Memorial da América Latina, Parque do Ibirapuera, Museu de Arte de São Paulo, Vão do MASP, Hospital Santa Catarina, Anfiteatro Camargo Guarnieri, faculdades, shoppings, bairros de SP, Campinas, Santos, na rua, no Círculo Militar com a banda do exército, etc. etc. etc. Muitos aplausos e eu pequenino no meio disso tudo aprendi mais frequências, suas características, durações e o respeito de tê-las para usá-las nos corações de todos nós em ambiente profano ou em ambiente sagrado nas várias igrejas de São Paulo, incluindo a Catedral da Sé. Eu, apesar de um cantor desconhecido sentia-me um ganhador, enquanto isso meu pai perdia em Pernambuco a eleição para vereador obtendo apenas 11 votos.



Enquanto isso, eu em Pinheiros fazia os contatos em meio aos famosos. Na porta de minha casa o músico Charles (chorão) Brown numa noite sem destino. Na FNAC da Pedroso de Morais encontros pessoais com Roberto Frejat, Zélia Duncan, Zeca Baleiro, o Paulo Ricardo e os músicos do RPM como amigos desconhecidos que se reconhecem pela arte. E o mais prazeroso diálogo em inglês que travei foi com o músico B.B.King na noite de autógrafos de sua biografia. Nessa época acreditei ter sentimentos pela cantora Carmina Juarez, minha professora de técnica bel canto com Vaccai e expressão corporal, mas mesmo sob assédio e um pernoite em sua casa numa festa familiar frustrei-me e continuei meu caminho solista.



Então, o sinal da verdade aconteceu para mim. Sentado relaxado na frente do restaurante, onde disputava espaço para apresentações ao violão e voz ouvi em meu pensamento: Vá até ela ou se arrependerá pelo resto de sua vida! - ao ver uma mulher, passando do outro lado da rua a passos firmes e apressados. Sei o que digo e digo o que dou testemunho da verdade. Sou tímido e objetivo. Senti que ela era a minha mulher a me chamar. Quero dizer, era a mulher reconhecida por mim como minha mesmo sem saber quem era. Usava uma roupa casual jeans sem maquiagem. Aproximei-me e percebi ser atriz conhecida da televisão, o que me fez hesitar. Caminhei ao seu lado na mesma passada e disse apenas oi. Ela sorriu e respondeu oi.



O caminho à nossa frente estreitou-se por conta dos arbustos e eu me posicionei atrás dela para dar-lhe passagem. Meu pensamento voltou a atormentar-me: Faça alguma coisa para chamar-lhe a atenção! E eu inocente me submeti à sua fama e poder, pedindo-lhe um humilde autógrafo. Percebi que ela seguia alguém e identifiquei por memória ser namorado, um músico conhecido na televisão por namorá-la. Paramos numa banca de jornal na esquina da Fradique Coutinho com Teodoro Sampaio, enquanto ela escrevia seu nome num pequeno pedacinho de papel, tive o desejo de fazer desaparecer seu acompanhante, dizendo apenas que ele era um privilegiado ao ter uma mulher como ela ao seu lado e contive-me como um bom ser civilizado.



Ele aproveitou para humilhar-me, dando-me também o seu autógrafo que foi recebido por mim com educação resignada. Nos despedimos educadamente e ela seguiu o caminho com seu acompanhante e eu segui minha vida de artista desconhecido, mas sinceramente nunca mais fui o mesmo. Um fracasso visceral tomou meu espírito. A alma infantil e alegre, exibindo um sorriso iluminado no meu rosto sem beleza, que me impulsionava para frente, enegreceu. Meus passos tornaram-se inseguros e insuficientes para sustentar qualquer destino de conquista e eu me senti fraco. Passei a me procurar em mim mesmo sem encontrar nada além de imagens de dúvidas em relação à imagem da minha verdadeira mulher e quem era ela, afinal de contas?



No entanto, como radialista Cleber Alcasar encontrei na virada do milênio motivos para continuar vivo e no evento Pão Music no Parque do Ibirapuera perguntava-me em entrevistas como repórter no evento por que pessoas famosas são tão diferentes das pessoas comuns, que as admiram e com crachá de imprensa entrevistei Gilberto Gil, Rita Lee, Roberto de Carvalho, Gal Costa, Maria Bethânia, Ney Matogrosso, Alaíde Costa, Eduardo Suplicy, Washington Olivetto, Preta Gil, Zé Renato do grupo Boca Livre, além dos internacionais Felipe Mukenga, Teresa Salgueiro do grupo Madredeus e a cantora Elba Ramalho numa exclusiva dentro de seu carro rumo ao aeroporto para pegar o vôo para o Rio.



Ainda tive o privilégio de entrevistar a cantora Daniela Mercury, assim como Zélia Duncan ao lado da inesquecível roqueira Cássia Eller. Todo esse material sonoro e exclusivo foi veiculado pela internet em um site criado por mim chamado Programa Terra Brasilis, dando origem mais tarde a uma ONG chamada TV Brasilis Online Brazilian Organization (TV Brasil está na linha em Organização Brasileira) em defesa da difusão das idéias e da preservação da memória da cultura do povo brasileiro no país, no planeta e no universo. Organização na qual sou presidente registrada no cartório de registro de associações civis em meados de 2.008 no estado do Rio de Janeiro. Com logomarca e nome de fantasia TV BOBO.



Na travessia do tempo e do espaço, eu Cleber Alcasar e a família Alcazar vinda de José Alcasar e Gilma de Siqueira Alcasar ao lado dos filhos Claudio Alcasar, Clóvis Alcasar e Carlos Alcazar viviam a perda de Gilma no ganho de espaço junto a Divinópolis tanto na área empresarial, quanto na ação política apoiando o Prefeito local Aristides Salgado e fornecendo máquinas e equipamentos de tecnologia em parcerias com empresários divinopolitanos, assim como adquirindo a parceria da jornalista Leonice de Freitas em casamernto com José meu pai e Flávia Amélia Xavier Ribeiro em noivado comigo. Durante os 9 anos que estive no Banco do Brasil na região centro oeste de Minas Gerais fui dela seu parceiro e cúmplice.



Enquanto minha família fragmentada parte em São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, eu fora do Banco do Brasil usei meus conhecimentos de Psicologia e com o apoio de um irmão agregado a uma empresa argentina consegui trabalho temporário como terapeuta numa das clinicas de terceira idade do grupo ao mesmo tempo que buscava apoio médico na Cassi e Previ do Banco do Brasil e apoio jurídico junto ao Sindicato dos Bancários no centro de São Paulo para um novo rumo de vida com o Auxílio Desemprego do governo. Sem acordo para receber as comissões de trabalhos não pagas pelo banco decidi sair de São Paulo rumo a Pernambuco para visitar meu pai. Comprei um carro Fiat 1000 e viajei pelo litoral brasileiro via linha verde.



Parada no Rio e braços abertos do tio Jacyr escritor de causos no Jornal da AABB. Um funcionário do Banco do Brasil orgulhoso por ter 64 parentes incluindo eu no corpo funcional da empresa, ter à base de viagra uma vida sexual ativa, mesmo aos 80 com uma advogada de 34. Outro funcionário, seu irmão Paulo, o mais influente sobre a família Lacerda desde as mortes de meus bisavós Antônio e Henriqueta. Sobre Magnólia minha avó, o tio Paulo tinha o prestigio de ser um espiritualista moderno, dizia-se mesa branca, vibrando junto a espíritos e influenciando toda a família.

Depoimento Parte 4